
Título: Caminho das Índias
Tipo: Novela (TV Globo)
Personagem: Indira
Estreia: 19/01/2009
Site Oficial: Aqui
Status: Terminado
Eliane Giardini fala sobre sua nova faceta: diretora de cinema
Eliane Giardini: Amor na maturidadeSolteira, a atriz que mora sozinha na Barra da Tijuca fala sobre
relacionamentos modernos e se diverte com os beijos em Antonio Fagundes na
novela da Globo

Ela está rindo muito. As mulheres também, e dando corda. ''Todas pedem para
eu beijar o Fagundes
por elas!'', diverte-se Eliane Giardini, 57 anos, feliz com seu papel em Tempos Modernos,
como par do galã. ''Acho muito original na TV dar espaço a uma história de amor
verdadeira, romântica, de duas pessoas maduras, como é o caso do meu personagem
com o do Fagundes. Fiquei muito feliz por terem apostado nesse amor maduro'',
completa. A atriz afirma ter uma história de vida e profissional que podem ser
descritas como ''invertidas''.
Começou tarde na profissão e teve filhas antes de mergulhar numa atividade que
agora lhe toma todo o tempo. ''A maioria dos atores na minha idade tem 40 anos
de carreira, eu tenho 18. Tive o melhor dos mundos: uma vida intensa com minhas
filhas, em que pude acompanhar o crescimento delas, e consegui chegar junto. E
na profissão ainda sinto o gostinho de novidade. Eu não me ressinto de nada'',
explica ela, citando as filhas, a cantora Juliana, 33, e a assistente de direção
Mariana, 30, frutos do casamento de 23 anos com o ator Paulo Betti, 57.
Congelar o cérebro?
Embora Hélia, sua personagem, tenha uma relação intensa na trama da Globo,
Eliane não assina embaixo desse tipo de amor. Ela garante que não faz o estilo
romântica. Pelo contrário, luta contra o amor idealizado e as paixões
arrebatadoras. Foram descobertas depois da longa relação com Betti que trouxeram
para a atriz novas relações e a independência financeira. ''Vivemos uma época
marcada por relações de afeto, de companheirismo, de carinho. Hoje ficamos com
uma pessoa e, se a relação não está mais dando certo, saímos dela. Nada mais é
obrigatório'', explica.
Sua experiência é usada como exemplo do mal que a paixão faz, apesar do ''barato
inacreditável''. ''Os orientais combatem muito a paixão porque ela congela o
cérebro, não nos deixa pensar. Estou descobrindo que existem coisas que também
me levam a um estado de muito prazer, seja num estudo ou em alguma outra coisa
que eu goste muito de fazer, que me dá esse êxtase. Não dá para jogar tudo em
cima de um parceiro, fica pesado demais'', analisa.
História forte
Mas que fique bem claro: Eliane não está fechada para balanço - e apesar de
separada desde 1997, continua usando como referência de relacionamento o que
teve com Betti. ''Sei que tive uma história muito forte com o Paulo, um
casamento lindo, que me trouxe duas filhas maravilhosas. Tenho nele um grande
amigo. Essa história de casamento e filhos eu já tive a minha. Não descarto essa
possibilidade, só que hoje acredito que a melhor relação é cada um em sua casa,
porque o cotidiano é difícil, ter de dividir é complicado. Tenho as minhas
filhas, as minhas manias, o meu espaço. Na minha idade, com os exemplos que eu
tenho tido de algumas relações, acho ótimo o companheirismo, o namoro etc. Mas
cada um em sua casa. Ainda não senti a necessidade de me mudar para a casa de
ninguém nem de essa pessoa se mudar para a minha.''
Livros companheiros
Ela adora ficar mergulhada em livros, estudar, principalmente se os temas forem
relacionados à psicanálise e à filosofia. É um mundo particular do qual não abre
mão. ''Eu gosto da solidão, pois adoro ficar só com meus livros, estudando no
silêncio. Acho delicioso fazer meus cursos, saber que existem outros universos,
preciso me alimentar de outras fontes, isso me faz bem e é uma das coisas que me
mantém com espírito jovem'', diz. Nesse processo também entram as aulas de
cabala do mestre Mario Meir, que Eliane frequenta há cinco anos, e, mais
recentemente, as aulas de física quântica com o professor Luiz Alberto Oliveira,
na Casa do Saber. ''Eu saio completamente do meu meio. Sento numa cadeirinha e
escuto o meu mestre falar. A minha cabeça e o meu coração ficam levitando...'',
afirma.
Cegueira
O espírito jovem serve para dar conselhos às filhas, ''os bem clichês'', segundo
Eliane. ''Eu falo: 'Não deem tanta importância assim, isso não vai fazer tanta
diferença daqui a dez anos''', ela conta e cai na gargalhada. ''A idade traz
ganhos. Quando jovens, precisamos dessa cegueira de achar que as coisas são
muito urgentes. Isso faz parte da idade, até para aprendermos a ter mais força.
Depois ficamos mais reflexivos, perdemos um pouco na ação, mas ganhamos na
sabedoria'', completa.
Os 60 anos estão chegando com serenidade para a atriz. ''É claro que eu adoraria
ter o corpo rígido que eu tinha aos 20 e com a cabeça que eu tenho hoje
(risos). Isso é outro clichê, mas é óbvio! Não faço reposição hormonal. É
desconfortável, os sintomas físicos são bem chatos. Infelizmente a idade traz
perdas, mas temos os ganhos. A qualidade de vida é maior hoje em dia'', diz.
Perto das filhas
Uma mudança que Eliane fez foi sair de sua casa na Barra e ir para Ipanema. Por
quê? Para ficar mais próxima das filhas, companheiras de todas as horas. Juliana
e Mariana se casaram e deixaram a casa da mãe, mas o momento delicado está sendo
tratado com cuidado. ''Elas moram a um quarteirão da minha casa. Gostamos de
estar perto uma da outra, tanto que deixei minha casa para vir para cá. Eu
preciso desse contato. É muito claro que estamos num processo de transição, elas
indo para as casas delas, eu ficando sozinha... Mas tomamos café da manhã
juntas, elas vão trabalhar, eu vou para lá também... Elas têm os cantos delas,
mas, nos momentos críticos dos relacionamentos, correm para a minha casa
(risos). Nossa relação é muito intensa!''. Eliane dirigiu seu primeiro
curta-metragem, Filtro de Papel (2009) e teve Mariana como assistente
de direção - o curta foi selecionado para o Los Angeles Brazilian Film Festival
este ano.


Eliane, Juliana e Mariana em momento de
lazer em família
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